sábado, 10 de março de 2012

A história dos Parafusos e seus mistérios.
No ritmo das cantigas populares.

I Feira de Cordel de Cordel do Alto da Boa Vista


"Seu dotô que é da cidade
Tem diproma e posição
E estudou derne minino
Sem perder uma lição (...),  
Pruquê não quis aprendê
As coisa do meu sertão? (...)"

("Coisas do meu sertão", Patativa do Assaré)


"Seu moço, fique ciente
De tudo que eu vou contar, 
Sou um pobre penitente
Nasci no dia do azá, 
Por capricho eu vim ao mundo
Perto de um riacho fundo
No mais feio grutão
E como ali fui nascido, 
Fiquei sendo conhecido
Por Mané do Riachão. (...)"

("Aposentadoria de Mané do Riachão", Patativa do Assaré)

sexta-feira, 9 de março de 2012


"Zé Tingó: 

Meu bom dia , Bertulino,
como vai meu camarada?
Já faz uns pouco de dia
que eu ando em sua pisada. (...)
E vou logo lhe avisando, 
eu ando lhe procurando
mode proseá com você. 

Bertulino: 

Pois não, amigo Tingó, 
agora nóis vamo a ela (...)
Vou preguntá pra você
e tem que respondê, 
se é poeta profundo, 
e rima sem quebra pé,
vá me dizendo qual é 
a coisa maió do mundo."

(Trecho de "Bertulino e Zé Tingo", de Patativa do Assaré)



"O jumento sempre foi
o maior desenvolvimentista do sertão. 
(...)
E o homem, em retribuição, o que lhe dá?
Castigo, pancada, pau nas pernas, pau no lombo, 
Pau no pescoço, pau na cara, pau nas orelhas.
Ah... jumento é bom, o homem é mal." 

(Trecho de "Apologia ao jumento", de Luiz Gonzaga)
"Era o esposo assaltante perigoso, 
o mais famoso dentre os marginais,
porém, se ele era assim astucioso,
sua mulher roubava muito mais."
("Filho de gato é gatinho", Patativa do Assaré)